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Publicidade é o mesmo que propaganda?

 
Photo by negativespace.com from Pexels

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Em inglês, os termos “advertising” e “publicity” são diferentes. E é a partir da nossa tradução para português destes mesmos termos que a confusão se instalou. Enquanto advertising se refere à nossa publicidade dos dias de hoje, enquanto técnica de comunicação para fins comerciais, publicity é usada por um terceiro partido para criar sensibilização e informar sobre determinado assunto. Então e em português? São sinónimos de publicidade e propaganda?

A resposta é, não necessariamente. A atividade de publicity não tem um equivalente em português. No entanto, propaganda e publicidade são usadas como sinónimos, quando os seus significados são diferentes.

 

Definições

Publicidade define-se como o ato de vulgarizar, de tornar pública uma mensagem comercial. Nos dias de hoje, é a atividade profissional dedicada à difusão pública de empresas, produtos ou serviços. Propaganda, por seu lado, trata-se de um termo mais abrangente, que está relacionado com a mensagem política e religiosa, compreendendo a ideia de implantar, de incluir uma crença na mente das massas. A expressão, derivada do latim “propagare”, foi implementada pelo Papa Clemente VII, em 1567, aquando da fundação da Congregação da Propaganda, que tinha como objetivo propagar a fé católica pelo mundo. Assim, propaganda é definida como a propagação de princípios e teorias.

 

Pequena história da publicidade

Ao contrário do que se pensa, a publicidade já era utilizada nos tempos da Antiguidade. Em Pompeia, no Império Romano, os chamados pregoeiros eram homens que transmitiam mensagens oralmente nas ruas. Já os egípcios e os gregos também usavam semelhante técnica, assim como pinturas em muros e rochas para espalhar determinada mensagem.

Em 1482, surgiram os primeiros panfletos publicitários para anunciar uma manifestação religiosa em Paris. A porta estava aberta para esta nova forma de publicitar se tornar popular. Já o primeiro anúncio publicitário surgiu em 1625, para promover o livro Mercurius Britannicus.

Benjamin Franklin, considerado o pai da publicidade, foi o grande impulsionador desta, sendo o primeiro a colocar-se no lugar do consumidor. Aliás, a primeira publicidade enganosa apareceu em 1745, quando o primeiro jornal dedicado à publicação de anúncios publicitários chegou ao mercado. Um ponto de viragem que tornou evidente a necessidade de proteger o consumidor.

Com a Revolução Industrial, assistiu-se ao aparecimento de novas empresas e indústrias, o que levou a um aumento na produção, aumentando igualmente a quantidade de produtos a circular no mercado. Este fenómeno, aliado também à explosão demográfica na altura, significou um verdadeiro incremento de consumidores. É então que o mercado publicitário se começa a desenvolver como o conhecemos hoje.

O número de publicações de anúncios proliferou e a técnica publicitária foi aperfeiçoada, tornando as mensagens mais persuasivas. Os produtos começam então a ser impostos, e não sugeridos. Assiste-se a um “boom” publicitário, que viu nascer a primeira agência de publicidade em Boston, em 1841.

A rádio também começa a ser um meio de excelência para divulgar anúncios. À medida que as estações de rádio proliferam, surge igualmente o patrocínio a programas. Uma prática que ganhou tanta popularidade que ainda hoje é utilizada, tanto na rádio, como na televisão.

 

Publicidade vs. Propaganda

Em conclusão, a publicidade é um processo que existe desde a Antiguidade, mas que foi evoluindo ao longo dos séculos. Sempre teve o mesmo propósito: tornar algo público. Contudo, com o advento da nossa sociedade consumista, a publicidade adaptou-se e focou-se mais em chamar a atenção para produtos ou serviços das empresas, tendo como objetivo final a obtenção de lucros.

Em contraste, a propaganda acaba por ser um fenómeno mais abrangente, uma vez que pretende “plantar” ideias na mente de terceiros. Não se trata apenas de divulgar ou difundir mensagens, mas fazer com que o público as adote como suas, e aja de forma independente em relação a essas mesmas mensagens.